11/09/2020

Câncer de cólon e reto: incidência na população com menos de 50 anos cresce a cada ano

A recente morte do ator Chadwick Boseman, protagonista de 'Pantera Negra' no Universo Cinematográfico da Marvel (MCU), em decorrência de um câncer de cólon aos 43 anos, aumentou o alerta sobre o crescimento nos percentuais de incidência deste tumor, especialmente entre a população abaixo dos 50 anos. A doença é o terceiro tipo de câncer mais frequente em homens e o segundo entre as mulheres em todo o mundo, responsável por cerca de 10% de todos os diagnósticos da doença. 

Este mês é marcado pela campanha 'Setembro Verde' que visa conscientizar sobre a importância da prevenção para evitar este tipo de tumor. Segundo estimativas do Instituto Nacional de Câncer (Inca), é previsto que o câncer colorretal provoque 40.990 novos casos em 2020 no Brasil, sendo a segunda neoplasia maligna mais incidente em nosso país. Somente em Minas Gerais, são esperados 4 mil novos diagnósticos da doença, afetando em proporção similar homens e mulheres. Já a quantidade de mortes pela condição no país chega a 18.867, de acordo com os dados mais recentes disponíveis. 

Diante deste cenário, um alerta importante sobre os riscos deste tipo de câncer: levantamento da American Cancer Society (ACS) aponta para uma mudança no padrão de incidência do câncer colorretal nas últimas duas décadas, com o crescimento de casos entre o grupo em faixas etárias inferiores a 50 anos. Para a oncologista do COT Oncoclínicas, Dra. Florença Copati, esse aumento da incidência entre os mais jovens ressalta a importância da conscientização sobre as causas e detecção precoce dos tumores de cólon e reto.

 "As estatísticas americanas mostram uma queda na incidência entre a população acima dos 55 anos, a principal atingida pelo câncer colorretal, em contrapartida, verificamos o aumento de cerca de 2% ao ano no número de casos na população mais jovem, entre 29 e 50 anos", diz a médica.

Ela explica ainda que os fatores que se relacionam a este aumento ainda estão sendo estudados, mas parecem estar relacionados a hábitos de vida. "Este crescimento do percentual de diagnósticos de tumores de cólon na atual geração de adultos jovens, provavelmente acontece devido a fatores ligados ao estilo de vida, como a alta prevalência do diabetes, sedentarismo e uma dieta rica em industrializados e processados, mas pobre em fibras, verduras e frutas", pontua a Dra. Florença.

Além dos fatores ligados ao estilo de vida, a especialista ressalta que condições hereditárias e doenças inflamatórias intestinais também são fatores de risco que elevam a probabilidade de desenvolver o câncer colorretal. Grupos que tenham história pessoal ou familiar do tumor, devem estar em alerta.

 

Sinais de alerta e diagnóstico

Os sintomas do câncer colorretal estão relacionados, geralmente, ao comportamento intestinal, incluindo diarreia ou constipação, fezes finas ou que apresentem sangue. Dores na região abdominal, gases, falta de energia ou fadiga e perda de peso súbita também são possíveis sinais. 

Entretanto, a falta de sintomas não indica a ausência da doença, já que é comum que o câncer de cólon e reto não apresente sintomas nas fases iniciais, ou, quando revele, estes podem ser inespecíficos como, por exemplo, uma dor abdominal leve e transitória, fadiga e falta de energia. Já os sintomas como a perda de peso não-intencional, perda de sangue nas fezes, mudanças no padrão de evacuação incluindo alternância entre diarréia e constipação ou fezes finas são os mais indicativos da doença.

“É essencial estar atento a sinais de alterações na saúde e realizar exames preventivos periodicamente, no caso a colonoscopia, uma vez que quando identificado ainda em fase inicial, 90% dos casos de câncer colorretal são curáveis”, aconselha a Dra Florença.

A colonoscopia é o exame padrão para investigação de doenças do intestino e do reto e nos casos de suspeita de câncer pode determinar a localização da lesão e permitir a biópsia para confirmação da malignidade. Hoje, a recomendação para pessoas com risco médio é que ela seja realizada aos 50 anos de idade e repetida conforme orientação médica, mas frente às evidências de que pessoas cada vez mais jovens estão desenvolvendo tumores, especialistas sugerem que o rastreio possa ser iniciado aos 45 anos.


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